Marxismo e Globalização


 



Marxismo e Globalização
Ronaldo Fonseca

Nota do Editor - Campo das Letras

Sobre o Livro : Neste livro, Ronaldo Fonseca, partindo da actualidade do pensamento marxista, analisa e critica as suas descaracterizações mecanicistas e dogmáticas e procura fazer um balanço crítico das tentativas de construção de alternativas ao capitalismo, situando-as no seu contexto histórico.
Sobretudo, procura captar, numa perspectiva de esquerda, as virtualidades e as potencialidades da nova vaga de resistência e luta contra a globalização neoliberal com que o sistema capitalista se pretende perpetuar e que, pelos mecanismos que desencadeia, é portadora de um processo de regressão civilizacional e de uma dinâmica suicidária para a humanidade.

Outras Informações : ISBN: 972610548X
Nº de Páginas: 232
Peso: 300 g.
Dimensões 13,5x21 cm
Ano de Edição: 2002

1 comentário:

FPR disse...

Diz Ronaldo Fonseca:

Os ideólogos da social-democracia/neoliberalismo, os
ex-marxistas a ela convertidos e os «pós-modemos»,
tentam apresentar a globalização e as novas
tecnologías da «revolução informacional» como
superadoras do próprio sistema capitalista.

Digo eu:

Começamos mal. Começar por rotular os opositores é um mau princípio. Eu por exemplo não me considero nem social-democrata, nem ex-marxista, nem pós-moderno...


Diz Ronaldo Fonseca:

Mesmo os que criticam as visões apologéticas do sistema,
postulam que os referidos factores deram nascimento a
um novo sistema global e qualitativamente diferente,
já não mais baseado na produção da mais-valia, na
exploração do trabalho humano.

Digo eu:

É falso que assim seja, há quem diga que o trabalho humano ainda é mais importante agora e que a exploração ainda é maior agora

Diz Ronaldo Fonseca:

Alguns, curiosamente, vão buscar apoio para suas teses
num texto de Marx nos Grundrisse que diz: «Mas na
medida em que a grande indústria se desenvolve, a
criação da riqueza real toma-se menos dependente do
tempo de trabalho e do quantum de trabalho útil/ como
do poder dos agentes que são colocados em movimento
durante o tempo de trabalho, e, mais uma vez, ela
mesma - cuja eficácia é gigantesca -, não está em
proporção ao tempo de trabalho imediato que a sua
produção custa, mas depende principalmente do estado
geral da ciência e do progresso da tecnologia ou da
aplicação desta ciência à produção».


Digo eu:

Curiosamente porquê ? só o RF é que pode citar Marx ?
Esta é uma prova da presciência extraordinária de Marx relativamente ao impacto da tecnologia que estamos a observar hoje. Claro que Marx, de acordo com a sua época,punha o enfase na produtividade e parecia não ver os aspectos mais ligados ao trabalho não repetitivo sem o qual a automatização não tem qualquer significado.

Diz Ronaldo Fonseca:

Isto significa que para Marx esta etapa
histórica só poderia dar-se numa sociedade que já não
mais seria a capitalista, (a qual, segundo ele, é
baseada na produção mercantil, isto é, implicando a
mais-valia, a exploração do trabalho humano, a
produção de valores de troca para o mercado). E esta
interpretação é de tal maneira evidente, que o próprio
Marx se encarrega de confirmá-la mais abaixo, no mesmo
texto, ao escrever que «é por tudo isto que a produção
que repousa sobre o valor de troca (o capitalismo,
R.F.) se desagrega», e com ela terminam as
contradições e a penúria. Nada poderia ser mais óbvio
nem mais coerente com a obra de Marx. Para ele, uma
tal etapa do desenvolvimento da humanidade (com a
ciência e a tecnologia ao serviço da produção da
riqueza geral e não do lucro) só seria possível numa
sociedade não-capítalista, isto é, no socialismo.

Digo eu:

O RF não concebe nenhuma sociedade não-capitalista que não seja o socialismo. Porquê ?
A atitude correcta do ponto de vista teórico, em vez de citar Marx para encerrar a discussão, era pegar nessa pérola do pensamento Marxista e "manipulá-la". Mas como "manipular" Marx para RF é um crime ele acaba com a discussão, magistralmente.
O que eu gostava de ver era pegar nas afirmações de Marx e interrogar-se sobre se, e em que medida, o cenário mencionado está ou não em vias de se concretizar.
Eu acho que sim, o que não acho é que resulte em socialismo de forma automática.
O RF devia concentrar o voluntarismo nessa luta.